Aplicabilidade clínica e recomendações baseadas no I Consenso Brasileiro de Ecoendoscopia

Existem dois tipos básicos de ecoendoscópios: com transdutor setorial e com transdutor radial.

A ultrassonografia endoscópica (USE), ou ecoendoscopia, é a associação da endoscopia com a ultrassonografia convencional, onde um transdutor ultrassonográfico é acoplado na ponta do endoscópio. Assim, guiado pela vi­são endoscópica, um exame ecográfico pode ser realizado junto a órgãos e estruturas internas do trato digestório. A associação de transdutores modernos, que atingem frequência de até 30 MHz, como no caso de alguns miniprobes, com a proximidade dos órgãos estudados, possibilitou a obtenção de imagens ecográficas de alta re­solução, definindo com precisão as camadas da parede do trato digestório e permitindo análise detalhada de órgãos e estruturas adjacentes.

Ecoendoscópio setorial:  é aquele em que a imagem ultrassonográfica é longitudinal ao tubo de inserção do aparelho, com campo de visão de 100 graus, para os aparelhos de última geração, e com frequências de 5,0, 7,5 , 10 e 12 MHz. Essa orientação do feixe de imagem permite a realização de punções eco­guiadas, por meio da introdução de agulha pelo canal de trabalho do endoscópio.

Ecoendoscópio radial: é aquele em que o feixe de imagem é perpendicular ao tubo de inserção do aparelho, produzindo uma imagem em 360 graus, porém com a desvantagem de não permitir a realização de punção ecoguiada. Suas frequências também são de 5, 7,5 e 10 MHz (figura ao lado).

Para avaliação de pequenas lesões superficiais da parede gastrointestinal, dispomos ainda da sonda mi­niprobe de ultrassonografia endoscópica. Trata-se de uma fina sonda dotada de um pequeno transdutor na sua extremidade, com a vantagem de po­der ser introduzida pelo canal de trabalho do endoscó­pio, apresentando diâmetro de até 2,8 mm. Seu sistema radial permite uma imagem em 360 graus, disponíveis nas frequências de 12,20 ou 30 MHz. Sua alta frequên­cia possibilita imagem detalhada de todas as camadas da parede do trato digestório.

As indicações de ecoendoscopia são várias: estadiamento de neoplasias intraluminais gastrointes­tinais; avaliação de lesões submucosas, de doenças pancreato­biliares, de afecções mediastinais, de lesões perianais, de lesões extraluminais, identificadas por outros mé­todos de imagem; aplicações terapêuticas diversas.  A possibilidade de realização da punção ecoguiada tem sido de extrema importância para selar o diagnóstico de variadas patologias, especialmente no cânceres, evitando cirurgias em diversas situações.